quinta-feira, 16 de abril de 2009

Dia 10 - 14 de abril - MOMENTO POÉTICO 2: PARAÍSO ESCONDIDO


"Sabe aquela pessoa que de nada tem de bonita, mas que tem qualquer coisa de atraente e interessante simplesmente porque é muito charmosa? Assim é Valparaíso. À primeira vista, assustamos um pouco porque já é cidade maior e, até então, vínhamos passando apenas por pequenas cidades bucólicas, cujos centros se resumiam a apenas uma rua, a qual andamos do começo ao fim e do fim ao começo diversas vezes, sem cansar.
Valparaíso é cidade portuária, de ônibus, metrô, elevador, fumaça, barulho, gente descendo e subindo. É cidade na beira do frio Pacífico, que sobe ladeira e que se perde no horizonte para qualquer lado que se olhe. E hoje o dia veio cheio de vento e tão cinza que conseguiu tirar um pouco do brilho das tantas casinhas coloridas cravadas ao longo dos 44 morros sobre os quais a cidade se fez. Andando por Valparaíso, a cada beco, muro pintando, a cada formosa fachada, acabamos por descobrir seu charme. Percebemos uma cidade tímida que, mesmo escancarada para o mar, não entrega sua beleza assim, de bandeja. Tem que ser persistente. E fomos. Mas o encanto mesmo só veio quando pudemos avistá-la de cima, com os olhos emprestados de Neruda, de uma janela aberta a um céu e mar que se confundiam, do quinto andar da surpreendentemente confusa e simpática casa La Sebastiana. “Amo Valparaíso” era a frase que se repetia no áudio-guia, com a voz do próprio anfitrião. Para nós, talvez tenha faltado um pouco de azul para chegarmos a tanto. Mas confiamos no Neruda..."

(por Marina Lanza)

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